Estoque e Logística na Black Friday: Como Se Preparar
Black Friday · Operação

Estoque e logística na Black Friday: a frente que ninguém conta

Quase todo conteúdo de Black Friday fala de mídia e de desconto. Quase nenhum fala do que acontece quando o pedido entra. E é ali, entre a confirmação da compra e a entrega, que boa parte do lucro da data desaparece sem aparecer em nenhum painel.

Estoque e logística na Black Friday para e-commerce
Curva de produtos, risco de ruptura e prazo real: a operação por trás da venda.

Existe um tipo de prejuízo de Black Friday que não aparece na planilha de margem nem no painel de mídia. Ele aparece três semanas depois, em forma de pedido cancelado, reclamação, custo de atendimento e cliente que não volta. Quase sempre a origem é a mesma: a operação vendeu mais do que conseguia entregar, ou vendeu o que não tinha.

Comece pela curva, não pela expectativa

A decisão sobre o que entra em promoção precisa nascer da curva de produtos, ou seja, de quanto cada item representa em venda e em margem, e não da expectativa de quanto você acha que vai vender. Expectativa gera ruptura no item errado e sobra no item que ninguém queria.

Classificar o catálogo por participação em faturamento e em margem é um exercício de meia tarde que muda a data inteira. Ele responde três perguntas ao mesmo tempo: quais produtos merecem prioridade de reposição, quais podem receber desconto agressivo sem comprometer o mix e quais não deveriam entrar na promoção porque não haveria estoque para sustentar a demanda.

É a mesma leitura que sustenta a decisão de preço em desconto sem destruir a margem. Estoque e margem são a mesma conversa vista de dois lados.

Ruptura no meio da campanha é a pior das perdas

Quando um produto anunciado acaba durante a campanha, você perde três vezes. Perde a verba já gasta para trazer aquela visita, perde a venda e perde a confiança de quem chegou e encontrou indisponível. E, diferente de outros erros da data, esse é totalmente visível para o cliente.

Três medidas evitam a maior parte disso. A primeira é reservar estoque para o que está anunciado, separando do que abastece outros canais. A segunda é definir um gatilho de pausa: quando o estoque de um produto em promoção chega a um nível mínimo, o anúncio dele é pausado, e isso precisa estar combinado antes, não decidido no calor do dia. A terceira é ter um plano de substituição, com produto equivalente pronto para assumir o lugar no anúncio.

Do outro lado da moeda está o excesso. Comprar estoque grande apostando em um pico que não veio transforma caixa em produto parado, e produto parado em dezembro vira desconto maior em janeiro. Estoque planejado não é estoque maior.

Prazo prometido contra prazo real

Na semana da Black Friday, a transportadora não trabalha só para você. O volume da praça inteira sobe, coletas atrasam, centros de distribuição congestionam. O prazo de tabela, que funciona em setembro, deixa de valer.

A escolha aqui é desconfortável e importante: é melhor prometer um prazo maior e cumprir do que prometer curto e falhar. Prazo estourado gera abertura de reclamação, pedido de cancelamento e custo de atendimento, e ainda derruba a reputação em marketplace, o que cobra caro no ano inteiro, não só em novembro.

Vale conversar com a transportadora antes de outubro sobre capacidade no pico, horário limite de coleta e o que acontece se o volume passar do combinado. Vale também ter um segundo transportador habilitado, ainda que mais caro, para não depender de um só no período de maior risco.

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A operação interna também tem um teto

Separação, conferência, embalagem e emissão de nota têm uma capacidade máxima por dia, e ela raramente é medida antes do pico. Uma loja que separa um número confortável de pedidos por dia em condição normal costuma descobrir o próprio limite na segunda-feira depois da Black Friday, quando o acúmulo aparece.

Duas perguntas resolvem boa parte disso com antecedência. Quantos pedidos por dia a sua operação consegue expedir hoje, com o time atual? E quantos ela vai precisar expedir se a meta da semana for atingida? Se a segunda for maior que a primeira, você precisa decidir em outubro se contrata reforço temporário, se antecipa embalagem, se estende o horário ou se reduz a meta. Descobrir isso em novembro é tarde.

Troca e devolução: o custo que chega em janeiro

Volume alto de venda gera volume alto de troca, e em categorias com variação de tamanho ou de expectativa visual esse número é relevante. O problema é que a troca chega em janeiro, quando a comemoração de novembro já passou, e quase ninguém a considerou no cálculo de margem da promoção.

Duas providências ajudam. A primeira é reservar um percentual para troca e devolução ao definir o teto de desconto, especialmente nas categorias em que isso é histórico. A segunda é ter o processo pronto antes: quem recebe, quem confere, em quanto tempo o crédito volta. Processo de troca improvisado consome atendimento e transforma um cliente recuperável em um cliente perdido.

Bem conduzida, a troca é uma segunda chance de venda. É o mesmo raciocínio de relacionamento que sustenta a recompra no e-commerce.

O que combinar com o atendimento antes de novembro

O atendimento é a última linha de defesa da operação e costuma ser o menos preparado. Vale deixar acordado por escrito, antes da data, o que fazer em cinco situações: produto que rompeu depois da compra, pedido atrasado, cliente pedindo cancelamento, cobrança duplicada e dúvida sobre a regra da promoção.

Ter essas respostas prontas muda o tempo de resposta na semana em que o tempo de resposta mais importa, e evita que cada atendente invente uma política diferente sob pressão.

Conclusão

Estoque e logística são a frente menos falada e uma das que mais destrói resultado na Black Friday, porque o erro delas é visível para o cliente e caro de reverter. Decidir o mix pela curva e não pela expectativa, reservar estoque para o que está anunciado, prometer prazo que a operação cumpre, medir a capacidade interna antes do pico e preparar troca e devolução resolvem a maior parte. Se você quer preparar o time inteiro para operar isso com método, e não só o marketing, conheça os treinamentos. O panorama completo da data está no guia de Black Friday para e-commerce.

Cristiano Creczyenski, CEO da Metris
Sobre o autor

Cristiano Creczyenski

Cristiano Creczyenski é CEO da Metris e ajuda empreendedores a crescerem com Estratégia, Marketing de Performance, CRM e I.A. São mais de 17 anos de experiência em e-commerce e marketing digital. Já atuou com marcas como Lojas Colombo, Fila, Umbro, Melissa, Coza, Continental Ferramentas, Vinhos Collection e Pizzato, entre outras.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Como decidir quais produtos entram na promoção de Black Friday?
Pela curva de produtos, ou seja, pela participação de cada item em faturamento e em margem, e não pela expectativa de venda. Expectativa gera ruptura no item errado e sobra no item que ninguém queria.
O que fazer quando um produto anunciado acaba durante a campanha?
Pausar o anúncio daquele produto imediatamente e, se houver, subir o substituto equivalente. O gatilho de pausa por estoque mínimo precisa estar combinado antes da data, e não decidido no calor do dia.
Preciso comprar mais estoque para a Black Friday?
Precisa de estoque planejado, que não é a mesma coisa que estoque maior. Excesso transforma caixa em produto parado, e produto parado em dezembro costuma virar desconto maior em janeiro.
Qual prazo de entrega prometer na Black Friday?
Um prazo que a operação cumpra no pico, mesmo que maior que o de tabela. Prazo estourado gera reclamação, pedido de cancelamento e custo de atendimento, além de derrubar reputação em marketplace pelo ano inteiro.
Como saber se a minha operação aguenta o volume?
Comparando quantos pedidos por dia o time consegue expedir hoje com quantos precisaria expedir se a meta da semana fosse atingida. Se o segundo número for maior, a decisão sobre reforço, horário ou meta precisa ser tomada em outubro.
Como tratar troca e devolução depois da data?
Reservando um percentual para isso já no cálculo do teto de desconto e tendo o processo definido antes: quem recebe, quem confere e em quanto tempo o crédito volta. Troca bem conduzida é uma segunda chance de venda.
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