Belmax: como um grupo de 55 anos entrou no digital sem perder a identidade
Podcast · Episódio 003

Belmax: como um grupo de 55 anos entrou no digital sem perder a identidade

Otávio e Renata Sandrin, da Belmax, contam como uma indústria de móveis com 55 anos migrou para o e-commerce, por que escutar o cliente virou estratégia e o que fez o faturamento dobrar em um ano.

Episódio do Performance para Resultados com Otávio Sandrin, da Belmax.

A Belmax é a marca de móveis do Grupo Sandrin, um grupo com 55 anos de história em Bento Gonçalves. E o episódio conta o que talvez seja o desafio mais difícil de uma empresa longeva: mudar de canal, do varejo físico para o digital, sem perder a cultura que sustenta o negócio há décadas. Otávio e Renata contam como fizeram, o que quase deu errado e o que fez o faturamento dobrar em um ano.

De uma tanoaria a um e-commerce de dormitórios

A história começa com madeira: o grupo nasceu de uma tanoaria, produção de pipas de vinho, nos anos 40, virou fábrica de móveis em 1971 e passou por planejado, modulado e seriado ao longo de décadas. A marca Belmax surgiu em 2016 para o móvel seriado, e o e-commerce próprio só em 2022.

É o retrato de uma empresa que aprendeu a se transformar várias vezes. E a última transformação, a digital, foi tratada como o que ela é: uma mudança de modelo, não só de canal.

O nicho foi uma escolha, não um acaso

Dormitório é um produto grande, pesado, de logística e produção difíceis, o que afasta muita indústria. A Belmax leu isso como oportunidade. Enquanto vários players entregavam produto sem a robustez que eles consideravam aceitável, a marca se posicionou na qualidade: 100% MDF, mais camadas de tinta, ferragem melhor, e uma linha modulada que chega perto de um planejado com custo bem menor.

A lição de posicionamento: tem mercado para todo mundo, mas não para quem quer ser tudo. A Belmax nichou em quem busca robustez e atendimento, em vez de brigar por preço com quem entrega o produto mais fraco.

Escutar o cliente virou o método

A linha Alteza, criada a partir de pedidos e necessidades que os próprios clientes traziam, virou campeã de vendas e mudou a curva da marca. E o Otávio faz questão de continuar na linha de frente do atendimento justamente para não perder esse contato.

"Hoje o nosso cliente é a base de todas as decisões. As empresas que mais crescem no digital são as que escutam o cliente e resolvem um problema real, não as que têm ideias mirabolantes."

Concordo inteiro. Quando três, dez pessoas pedem a mesma coisa, não é ideia genial, é o cliente te entregando o roteiro. Foge disso quem vai na onda do hype.

O faturamento dobrou, e as metas estão sendo superadas

Em um ano, o faturamento praticamente dobrou. Eles fazem planejamento estratégico anual com metas formalizadas, e o que impressiona, nas palavras deles, é como as metas estão sendo batidas e superadas. Mas o ponto que eu destaco é outro: o digital não substituiu o físico, andou em sinergia com ele.

Um dado que veio no episódio ilustra bem: a maioria das compras tem um contato físico antes de acontecer no digital, e boa parte da decisão é emocional. Ou seja, os canais se somam, não se anulam. É o mesmo raciocínio de leitura de conversão que trato em taxa de conversão de e-commerce.

O erro foi sair da própria estratégia

Perguntei o que não deu certo, e a resposta foi honesta: o pior erro foi tentar produtos e comunicações fora do posicionamento da marca, ir na onda do "agora o negócio é vender tal coisa". Toda vez que saíram da estratégia, erraram.

"Quando a gente tenta sair do nosso foco, do que já está estabelecido, não faz as escolhas certas."

É a mesma armadilha que o mercado de marketing cria toda semana com um guru novo. Hoje é a inteligência artificial, ontem foi o metaverso. A pergunta que protege a operação é sempre a mesma: me mostra um caso real de um problema real sendo resolvido, não a promessa.

A sua indústria está pronta para vender no digital?

Em uma hora de diagnóstico gratuito comigo, a gente olha os seus canais, o seu posicionamento e onde está o gargalo real do crescimento.

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Multicanal, com o site no centro

Hoje a Belmax opera site próprio como canal principal, WhatsApp com atendimento consultivo e projetos, e marketplaces como Madeira Madeira, Mercado Livre, Shopee, Amazon e Magazine Luiza, além da venda B2B para lojistas. A escolha de estar onde tem volume, sem abrir mão do atendimento humano, é o que sustenta a operação num produto de decisão difícil como móvel.

Cultura é o que garante o próximo ano

Renata trouxe o desafio de fundo de qualquer empresa familiar: 55 anos de história não garantem o ano seguinte. Manter características que vêm do fundador, seriedade, honestidade, e ao mesmo tempo se atualizar com uma nova geração entrando, é o verdadeiro desafio, além dos números.

É uma verdade que vale para empresa de qualquer tamanho: a cultura é o que faz a empresa se perpetuar. Sem ela, o crescimento não se sustenta.

O que eu levaria desse episódio para a sua operação

Nicho é escolha, não limitação. A Belmax escolheu robustez e atendimento em vez de brigar por preço. Definir para quem você não serve é o que deixa a comunicação forte.

Não saia da sua estratégia por causa de hype. Todo erro relatado veio de tentar algo fora do posicionamento. Antes de seguir a moda da vez, peça o caso real.

Digital e físico se somam. A maioria das compras tem contato físico antes do online. Trate os canais em sinergia, não como concorrentes.

Cristiano Creczyenski, CEO da Metris
Sobre o autor

Cristiano Creczyenski

Cristiano Creczyenski é CEO da Metris e apresenta o podcast Performance para Resultados. São mais de 17 anos de experiência em e-commerce e marketing digital, com atuação em marcas como Lojas Colombo, Fila, Umbro, Melissa, Coza, Continental Ferramentas, Vinhos Collection e Pizzato.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Quem é a Belmax?
É a marca de móveis do Grupo Sandrin, grupo com 55 anos de história em Bento Gonçalves. A marca foi criada em 2016 para o móvel seriado, com foco em dormitórios, e opera venda física e digital, com o e-commerce próprio desde 2022.
O que diferencia os móveis da Belmax?
O posicionamento na qualidade: 100% MDF, mais camadas de tinta, ferragem melhor e uma linha modulada que chega perto de um planejado com custo bem menor. A marca nichou em quem busca robustez e atendimento em vez de brigar por preço.
Como uma indústria tradicional migra para o e-commerce?
Tratando a mudança como de modelo, não só de canal. A Belmax entrou no e-commerce em 2022, manteve o físico em sinergia com o digital e usou o atendimento consultivo para vender um produto de decisão difícil como móvel. O faturamento dobrou em um ano.
Escutar o cliente é uma estratégia de verdade?
É a principal. A linha Alteza, campeã de vendas da Belmax, nasceu de pedidos e necessidades trazidos pelos próprios clientes. Quando várias pessoas pedem a mesma coisa, não é ideia genial, é o cliente entregando o roteiro do que produzir.
Qual foi o maior erro da Belmax no digital?
Sair da própria estratégia. Toda vez que tentaram produtos ou comunicações fora do posicionamento, indo na onda do hype da vez, erraram. A disciplina de ficar no foco foi o que sustentou o crescimento.
Digital substitui o varejo físico?
Não, eles se somam. Um dado do episódio mostra que a maioria das compras tem um contato físico antes de acontecer no digital, e boa parte da decisão é emocional. Os canais funcionam em sinergia, não como concorrentes.
Onde assistir ao podcast Performance para Resultados?
No canal do podcast no YouTube e no Spotify. É o podcast da Metris, apresentado por Cristiano Creczyenski, com conversas sobre operação real de negócios que vendem pela internet.
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O que esse episódio ensina serve para a sua operação?

Em uma hora de análise gratuita comigo, a gente olha a sua loja do mesmo jeito que eu olho a dos convidados: onde está o gargalo real e o que muda o resultado nos próximos 90 dias.