Depois da Black Friday: Onde o Lucro Realmente Aparece
Black Friday · Retenção

Depois da Black Friday: onde o lucro realmente aparece

A Black Friday quase nunca é lucrativa sozinha. Você comprou tráfego no momento mais caro do ano e vendeu com o menor preço do ano. O que sobra dessa conta raramente impressiona. O que muda o resultado é o que acontece em dezembro e janeiro.

O que fazer depois da Black Friday para transformar o pico em recompra
A segunda compra, a troca e o balanço honesto: o que decide o resultado da data.

Se você olhar isoladamente para a Black Friday, ela é o pior negócio do ano: o clique mais caro, o preço mais baixo e o cliente mais sensível a desconto que existe. A data só faz sentido financeiro se for tratada como aquisição, e não como venda. Ou seja: o resultado dela não se mede em novembro, se mede em fevereiro.

Quem compra na Black Friday não é cliente ainda

Quem chegou por causa do desconto é comprador de oferta, não cliente. A diferença entre os dois é o motivo da compra: um veio pelo preço, o outro vem pelo produto e pela marca. Transformar o primeiro no segundo é o trabalho que decide se a data deu lucro.

Isso não é pessimismo, é o ponto de partida correto. Uma base nova entrou na sua operação em uma semana. Ela tem dados de compra, preferência de produto, faixa de ticket e comportamento de navegação. Nenhum outro momento do ano entrega tanta informação e tanto contato novo de uma vez. O que quase toda loja faz com isso é nada, porque em dezembro o time está exausto e o foco já virou para o Natal.

A janela de dezembro é curta e é a melhor

Entre a Cyber Monday e a semana do Natal existem cerca de três semanas, e elas costumam ter margem melhor que a própria Black Friday. Duas razões: quem compra presente decide com pressa e com menos sensibilidade a preço, e uma parte desse público acabou de comprar de você, então já sabe que a entrega chega e que o produto é bom.

Nessa janela, prazo de entrega vale mais que percentual de desconto. Se a sua operação consegue prometer entrega antes do Natal com segurança, isso é um argumento mais forte do que qualquer promoção, e é uma vantagem que loja grande nem sempre consegue oferecer no mesmo nível de confiança.

O que disparar para quem comprou

A comunicação para o comprador novo precisa estar escrita antes de novembro, porque em dezembro não vai haver fôlego para criar. Uma sequência simples cobre a maior parte do valor:

  • Confirmação e expectativa. Prazo claro e o que esperar. Parece básico e é o que mais reduz atendimento.
  • Pós-entrega. Uso do produto, cuidado, dica. É a mensagem que muda a relação de transação para relacionamento.
  • Complemento. O item que combina com o que a pessoa comprou. Aqui não precisa de desconto, precisa de pertinência.
  • Convite de dezembro. Presente, kit ou uma seleção com prazo garantido antes do Natal.
  • Janeiro. Motivo para voltar que não seja preço, porque desconto de novo ensina que a sua loja só vale a pena em promoção.

A mecânica de segmentação e disparo está em e-mail e CRM na Black Friday, e a lógica de retenção em recompra no e-commerce.

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Troca e devolução: o custo que chega junto

Volume alto de venda gera volume alto de troca, e ele aparece em janeiro, quando a comemoração de novembro já passou. Em categorias com variação de tamanho ou expectativa visual, esse número é relevante o bastante para virar a conta de margem da promoção.

Duas coisas ajudam. A primeira é ter reservado um percentual para isso já no cálculo do teto de desconto, o que é assunto de desconto sem destruir a margem. A segunda é ter o processo pronto: quem recebe, quem confere, em quanto tempo o crédito volta.

Vale mudar a forma de enxergar a troca. Ela é um dos poucos momentos em que o cliente está em contato ativo com a loja e disposto a dar uma segunda chance. Troca resolvida rápido converte em nova compra com frequência bem maior do que a intuição sugere. Troca mal resolvida gera avaliação ruim que custa por meses.

O balanço honesto

Em janeiro dá para responder a única pergunta que interessa: a Black Friday deu lucro? E ela não se responde com faturamento.

O fechamento que serve para alguma coisa junta cinco números: faturamento do período, margem de contribuição real depois de todos os descontos e taxas, custo total de mídia, custo de troca e devolução e, o mais importante, quantos dos compradores novos fizeram uma segunda compra. Esse último é o número que diz se você adquiriu clientes ou apenas alugou compradores por uma semana.

Vale registrar também o que rompeu, o que atrasou, qual produto vendeu com margem negativa e qual canal trouxe gente que voltou. Esse registro custa uma tarde e é o que faz a Black Friday do ano seguinte começar na frente. O risco de olhar só faturamento está em vendo muito e lucro pouco.

Se o balanço vier ruim

Acontece, e é informação, não fracasso. Se a conta fechou negativa, as perguntas úteis são: o desconto passou do teto da margem, a verba foi concentrada no dia mais caro, o mix em promoção estava errado, a operação não deu conta ou não houve trabalho de segunda compra?

Cada uma dessas causas tem solução diferente, e nenhuma delas é "no ano que vem a gente investe mais". Repetir a mesma estrutura com verba maior costuma amplificar o mesmo resultado, e essa é a definição prática de escalar um problema, tema de erros ao escalar e-commerce.

Conclusão

A Black Friday é uma operação de aquisição disfarçada de operação de venda. O lucro dela raramente está nela, está na segunda compra de dezembro e janeiro, e isso depende de um trabalho que precisa estar pronto antes de novembro. Prepare a comunicação do depois, tenha processo de troca definido, e faça o fechamento com margem e com taxa de recompra, não com faturamento. Se a sua operação já tem tamanho para que essas decisões pesem e você quer alguém do seu lado nelas, conheça a mentoria individual.

Cristiano Creczyenski, CEO da Metris
Sobre o autor

Cristiano Creczyenski

Cristiano Creczyenski é CEO da Metris e ajuda empreendedores a crescerem com Estratégia, Marketing de Performance, CRM e I.A. São mais de 17 anos de experiência em e-commerce e marketing digital. Já atuou com marcas como Lojas Colombo, Fila, Umbro, Melissa, Coza, Continental Ferramentas, Vinhos Collection e Pizzato, entre outras.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

A Black Friday dá lucro?
Sozinha, raramente. Você compra tráfego no momento mais caro do ano e vende com o menor preço do ano. Ela faz sentido financeiro quando é tratada como aquisição, e o resultado se mede pela segunda compra em dezembro e janeiro.
O que fazer com quem comprou na Black Friday?
Tratar como base nova a ser convertida em cliente. Confirmação com prazo claro, mensagem pós-entrega, oferta de produto complementar sem depender de desconto, convite de dezembro e um motivo para voltar em janeiro que não seja preço.
Por que dezembro tem margem melhor que a Black Friday?
Porque quem compra presente decide com pressa e com menos sensibilidade a preço, e parte desse público acabou de comprar de você, então já confia na entrega. Nessa janela, prazo garantido vale mais que percentual de desconto.
Como calcular se a Black Friday valeu a pena?
Juntando faturamento, margem de contribuição real depois de descontos e taxas, custo total de mídia, custo de troca e devolução e, principalmente, quantos compradores novos fizeram uma segunda compra.
Como reduzir o impacto das trocas de janeiro?
Reservando um percentual para troca e devolução já no cálculo do teto de desconto e tendo o processo definido antes: quem recebe, quem confere e em quanto tempo o crédito volta. Troca resolvida rápido costuma virar nova compra.
O balanço deu negativo. O que fazer no ano seguinte?
Identificar a causa antes de mexer na verba. Desconto acima do teto da margem, verba concentrada no dia mais caro, mix errado em promoção, operação sem capacidade ou ausência de trabalho de segunda compra pedem soluções diferentes. Repetir a estrutura com verba maior costuma amplificar o mesmo resultado.
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