Checklist de Black Friday para E-commerce: 90, 60 e 30 Dias
Black Friday · Checklist

Checklist de Black Friday: o que fazer em 90, 60 e 30 dias

Todo checklist de Black Friday que circula por aí é uma lista solta de tarefas. O problema não é a tarefa, é a ordem. Existe coisa que só funciona se for feita em agosto, e existe coisa que é perda de tempo fazer antes de outubro. Este checklist organiza as duas.

Checklist de Black Friday para e-commerce dividido em 90, 60 e 30 dias
O checklist da Black Friday organizado por janela de tempo, de agosto até janeiro.

A pergunta que eu mais ouço em agosto é "por onde eu começo?". A resposta é que não existe uma lista única, existe uma sequência. Levantar margem por produto em novembro não adianta, porque a decisão já foi tomada. Produzir criativo em agosto também não adianta, porque a oferta ainda vai mudar. O que segue é o checklist da Black Friday organizado pela janela em que cada item realmente funciona.

Como usar este checklist

A Black Friday de 2026 é 27 de novembro. Achar em qual janela você está é o primeiro passo: em agosto e setembro você decide, em outubro você produz, em novembro você executa. Item feito fora da janela custa mais caro e rende menos.

Se você chegou atrasado, não tente fazer tudo. Escolha as três frentes mais fracas da sua operação e resolva bem essas três. Sete frentes pela metade entregam menos que três frentes inteiras. O panorama completo das frentes está no guia de Black Friday para e-commerce.

90 dias antes: agosto e setembro

Esta é a janela das decisões irreversíveis. É aqui que se ganha ou se perde a data, e quase nada disso aparece para o cliente.

Margem e oferta

  • Levantar a margem de contribuição por produto, não a margem média da loja. Sem esse número, qualquer desconto é chute.
  • Separar os produtos em três grupos: os que puxam tráfego, os que sustentam margem e os que precisam sair do estoque.
  • Definir o teto de desconto de cada grupo. Teto, não percentual final, que ainda vai mudar.
  • Decidir se a mecânica vai ser desconto direto, progressivo, kit ou frete grátis. Cada uma exige um preparo diferente.

Meta e verba

  • Definir a meta de faturamento de novembro e quanto dela vem da semana da Black Friday.
  • Descer a meta até o dia e daí para a verba diária necessária, no formato de cascata do plano de mídia para e-commerce.
  • Calcular o seu ROAS de equilíbrio com o desconto aplicado. Ele muda quando o preço muda, e quase ninguém refaz essa conta.
  • Reservar a verba de aquecimento de outubro separada da verba de novembro.

Estoque e fornecedor

  • Alinhar prazo com fornecedor agora. Em outubro o prazo dele já está comprometido com todo mundo.
  • Cruzar a curva de produtos com a projeção de venda e marcar o que tem risco de ruptura.
  • Conversar com a transportadora sobre capacidade no pico e sobre prazo real, não prazo de tabela.

Base e público

  • Começar a alimentar a base de e-mail e WhatsApp com conteúdo, ainda sem falar de oferta.
  • Subir campanha de alcance para público novo enquanto o custo ainda está no patamar normal.
  • Segmentar a base por comportamento: quem comprou nos últimos 90 dias, quem comprou e sumiu, quem nunca comprou.

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60 dias antes: setembro e outubro

Janela de produção. As decisões já foram tomadas, agora é transformar decisão em material pronto.

Oferta fechada

  • Fechar percentual final por produto, dentro do teto definido na janela anterior.
  • Montar os kits e conferir se a margem do kit fecha, porque kit mal montado esconde prejuízo.
  • Definir a política de frete da data e quanto ela custa por pedido.
  • Escrever a regra da promoção com clareza, incluindo prazo, exceções e o que acontece em caso de troca.

Criativo e página

  • Produzir criativo em quantidade suficiente para rodar a semana inteira sem saturar.
  • Revisar as páginas dos produtos que vão entrar: foto, descrição, prova social, informação de prazo.
  • Preparar a página da campanha, se houver, e deixá-la publicada mas despublicada da navegação.
  • Revisar o checkout de ponta a ponta comprando na própria loja, com cartão real.

Pagamento e site

  • Conversar com o intermediador de pagamento sobre taxa de aprovação e o que dá para melhorar antes de novembro.
  • Conferir se há um segundo meio de pagamento ativo, para não depender de um só no dia mais caro do ano.
  • Testar a velocidade da loja no celular, que é onde a maior parte do tráfego vai chegar.

30 dias antes: final de outubro

Janela de ensaio. O objetivo aqui é chegar em novembro sem nenhuma surpresa técnica.

  • Subir as campanhas de aquecimento e deixar o algoritmo aprender antes do pico.
  • Testar criativo com verba pequena e descartar o que não engaja, para não descobrir isso no dia 27.
  • Montar a sequência de e-mail da semana inteira, já escrita e agendada.
  • Simular pico de acesso no site e conferir o comportamento do carrinho com estoque baixo.
  • Definir o painel de acompanhamento com faturamento, margem, custo de aquisição e ticket lado a lado. Um dashboard de e-commerce resolve isso.
  • Combinar com o atendimento o que fazer em caso de ruptura, atraso e pedido de cancelamento.

Semana da data

Aqui a regra é uma só: ajuste verba, não estratégia. Mudar oferta no meio da semana confunde o cliente, quebra a leitura da campanha e costuma nascer de ansiedade, não de dado.

  • Acompanhar margem junto com faturamento, todo dia, e não só o painel de mídia.
  • Monitorar estoque dos produtos em promoção e pausar o anúncio do que romper, para não queimar verba.
  • Vigiar a taxa de aprovação de pagamento, que é onde a venda já paga costuma evaporar.
  • Responder rápido no atendimento, porque na semana da data a dúvida não respondida vira compra no concorrente.

Depois: dezembro e janeiro

É a janela que quase todo mundo pula e é onde o lucro da operação realmente aparece.

  • Disparar a sequência de segunda compra para quem comprou, ainda em dezembro.
  • Tratar troca e devolução com processo definido, porque volume alto de troca em janeiro destrói margem.
  • Fechar o balanço real com margem, e não com faturamento, no espírito de vendo muito e lucro pouco.
  • Registrar o que rompeu, o que atrasou e o que vendeu melhor. Esse registro é o que faz a Black Friday do ano seguinte começar na frente.
  • Trabalhar a retenção de quem entrou na base, no caminho descrito em recompra no e-commerce.

O item que quase ninguém coloca no checklist

Decidir o que não vai entrar. Toda lista de Black Friday é uma lista de coisas para fazer, e isso empurra a operação a colocar o catálogo inteiro em promoção, a rodar todos os canais e a tentar todas as mecânicas ao mesmo tempo. O resultado é margem entregue em produto que vendia bem sem desconto e verba diluída em canal que não converte.

Antes de executar qualquer coisa desta lista, escreva também a lista do que fica de fora: quais produtos não entram, qual canal não recebe verba, qual mecânica você não vai usar este ano. Essa segunda lista costuma valer mais que a primeira.

Conclusão

Checklist de Black Friday não é sobre fazer mais coisas, é sobre fazer a coisa certa na janela em que ela ainda funciona. Se você está lendo isto em agosto, tem tempo para tudo. Se está lendo em outubro, corte escopo com honestidade e concentre a energia onde a sua operação é mais frágil. E se quiser saber qual é essa frente na sua loja antes de gastar a primeira hora de trabalho, faça um diagnóstico gratuito.

Cristiano Creczyenski, CEO da Metris
Sobre o autor

Cristiano Creczyenski

Cristiano Creczyenski é CEO da Metris e ajuda empreendedores a crescerem com Estratégia, Marketing de Performance, CRM e I.A. São mais de 17 anos de experiência em e-commerce e marketing digital. Já atuou com marcas como Lojas Colombo, Fila, Umbro, Melissa, Coza, Continental Ferramentas, Vinhos Collection e Pizzato, entre outras.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Quando devo começar o checklist de Black Friday?
Em agosto, ou seja, cerca de 90 dias antes. A janela de agosto e setembro concentra as decisões irreversíveis, como margem por produto, teto de desconto, meta de verba e prazo de fornecedor. O que vem depois é produção e execução.
O que fazer se eu só comecei em outubro?
Corte escopo. Escolha as três frentes mais fracas da sua operação e resolva bem essas três, em vez de tocar as sete pela metade. Na prática, oferta que caiba na margem, aquecimento de base própria e checkout funcionando costumam ser as que mais mudam o resultado no prazo curto.
Preciso colocar o catálogo inteiro em promoção?
Não, e normalmente é um erro. Desconto em produto que já vendia bem sem desconto é margem entregue de graça. A promoção existe para mover o que não se move sozinho ou para trazer cliente novo.
Qual item do checklist é o mais esquecido?
A taxa de aprovação de pagamento. É uma conversa de trinta minutos com o intermediador em outubro que evita perder venda já paga em mídia no dia mais caro do ano.
Vale a pena montar campanha de aquecimento em outubro?
Vale, e é uma das poucas coisas que ficam mais baratas por serem feitas antes. Público que já conhece a marca converte com custo menor em novembro, quando o leilão fica disputado.
O checklist serve para loja pequena?
Serve, com a ressalva de que loja pequena não deve tentar disputar preço com grande varejista. A sequência é a mesma, mas o peso muda: base própria e oferta bem montada valem mais que verba de mídia.
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