Projeção de Lucro no E-commerce: a Conta Depois do ROAS
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Projeção de lucro no e-commerce: a conta que vem depois do ROAS

Sua loja fez R$ 100 mil no mês com R$ 10 mil de mídia. ROAS 10. O painel está lindo. E na conta bancária sobraram R$ 19 mil — se sobraram. A diferença entre esses dois números não é detalhe contábil: é a única coisa que decide se você pode escalar em novembro.

Existe uma conversa que eu repito toda semana com dono de loja: a de que faturamento não é lucro, e ROAS muito menos. Não é uma frase de efeito — é uma conta, e ela cabe em uma tela. Este guia abre essa conta linha a linha, com os números de um cenário real de R$ 100 mil por mês, para você refazer com os seus.

Resumo executivo (TL;DR)

Projeção de lucro é a conta que parte do investimento em mídia e chega ao que sobra no fim do mês, passando por custo variável e custo fixo. Faturamento mede entrada, ROAS mede eficiência de mídia, e só a projeção mede resultado.

  • Uma loja com R$ 10 mil de mídia, R$ 100 mil de venda e ROAS 10 pode terminar o mês com 19,2% de margem líquida — ou com prejuízo, dependendo do custo variável.
  • O ROAS pode cair enquanto o lucro sobe, porque o custo fixo se dilui com volume e o volume melhora a sua negociação com fornecedor, transportadora e meio de pagamento.

O que é uma projeção de lucro

Projeção de lucro é a simulação do resultado da operação a partir de uma verba de mídia. Você parte do investimento, estima a venda que ele gera, desconta tudo que varia com a venda, desconta o que você paga mesmo vendendo zero, e chega ao que sobra.

É diferente do ROAS de equilíbrio, que responde a uma pergunta menor e anterior: a partir de que ponto a mídia se paga. A projeção responde a pergunta que interessa: quanto vai sobrar no fim do mês, e o que acontece com esse número se eu dobrar a verba.

Como montar, em cinco linhas

  1. Investimento em mídia. A verba do mês, somando todos os canais pagos.
  2. Venda projetada. Sessões, taxa de conversão e ticket médio. Use os seus três últimos meses, não o seu melhor mês.
  3. Custos variáveis. Tudo que cresce junto com o pedido: produto, mídia, frete, embalagem, taxa de gateway, comissão de canal, impostos sobre venda e desconto concedido.
  4. Custos fixos. O que você paga vendendo zero: equipe, aluguel, plataforma, ferramentas, contabilidade.
  5. Resultado. Venda menos custo variável menos custo fixo. Esse é o número.

A conta aberta: R$ 100 mil de venda

Este é o cenário que eu uso para explicar. Repare que a mídia está dentro do custo variável — ela cresce com a venda como qualquer outro custo por pedido.

LinhaValorO que é
Investimento em mídiaR$ 10.000Verba do mês. ROAS resultante: 10
Venda projetadaR$ 100.000Receita bruta do período
Custos variáveisR$ 75.000Produto, mídia, frete, embalagem, taxas, comissões, impostos e descontos
Custos fixosR$ 5.800Equipe, aluguel, plataforma, ferramentas
ResultadoR$ 19.20019,2% de margem líquida

ROAS 10 parece excelente. E é — mas ele explica só a primeira e a segunda linha da tabela. As três de baixo, que decidem o que você leva para casa, ele não enxerga. É por isso que uma loja pode comemorar o painel de mídia e não ter dinheiro em caixa: são réguas diferentes medindo coisas diferentes.

Faturamento, ROAS e projeção: o que cada um responde

IndicadorO que entregaQuando faz sentido usar
FaturamentoVolume de entrada, sem nenhum custo descontadoPara dimensionar operação, estoque e logística
ROASEficiência da mídia isolada dos demais custosPara comparar campanhas e canais entre si, dentro do mesmo mês
Projeção de lucroO que sobra depois de custo variável e fixoPara decidir verba, preço, frete e parcelamento

Quando você precisa montar essa conta

  • Você cresceu em pedidos no último ano e desconfia que o lucro não acompanhou.
  • Você aumenta a verba de mídia e o resultado no banco não muda na mesma proporção.
  • Você não sabe dizer, sem abrir planilha, qual é o seu custo variável em percentual da venda.
  • Você decide desconto por percentual, olhando o concorrente, e não pelo que sobra depois dele.
  • Você está prestes a entrar em novembro sem saber até onde pode ir no frete grátis e no parcelamento.

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Por que o ROAS pode cair e o lucro subir

Esta é a parte que quase ninguém faz, e é onde está o dinheiro. Pegue a mesma loja e dobre a verba de mídia. O ROAS cai — é o esperado, porque o público mais barato você já comprou. A pergunta certa não é se o ROAS caiu. É se o lucro subiu.

LinhaCenário atualCenário com escala (ilustrativo)
MídiaR$ 10.000R$ 20.000
VendaR$ 100.000R$ 170.000
ROAS10,08,5
Custos variáveis (75%)R$ 75.000R$ 127.500
Custos fixosR$ 5.800R$ 5.800
ResultadoR$ 19.200R$ 36.700

O ROAS caiu 15% e o lucro quase dobrou. Dois motivos: o custo fixo de R$ 5.800 não mudou, então ele se diluiu na venda maior; e o percentual de custo variável foi mantido igual — o que, na prática, é conservador. Volume maior costuma reduzir esse percentual, porque você renegocia frete com a transportadora, compra embalagem em lote e ganha taxa melhor no meio de pagamento.

O segundo cenário é uma ilustração aritmética, não um resultado medido: a venda de R$ 170 mil é uma hipótese para mostrar a mecânica. O que você precisa fazer é rodar essa mesma tabela com a elasticidade da sua loja.

Quanto muda no seu resultado

Um ponto percentual de custo variável, numa loja de R$ 100 mil por mês, são R$ 1.000 por mês — R$ 12 mil por ano. Três pontos, que é o que costuma estar mal resolvido entre frete grátis irrestrito e taxa de parcelamento, são R$ 36 mil por ano. Não é otimização de planilha: é o custo de um funcionário.

É por isso que essa conta vem antes da decisão de desconto, e não depois. Percentual de desconto é a última alavanca da oferta, não a primeira — o raciocínio completo está em como aumentar a margem do e-commerce.

Como validar a sua projeção

  1. O meu custo de produto está com o custo de reposição de hoje, ou com o de quando eu comprei?
  2. O frete está com o custo médio real por pedido, incluindo o que eu subsidio no frete grátis?
  3. A taxa de parcelamento sem juros está lançada como custo, ou eu estou fingindo que ela é zero?
  4. O imposto está na alíquota efetiva do meu regime, ou é um número redondo que alguém chutou?
  5. O custo fixo inclui o meu pró-labore? Se não inclui, a projeção está mentindo para você.

Erros comuns

  • Deixar a mídia fora do custo variável. Ela é custo por pedido como qualquer outro. Fora da conta, o resultado infla.
  • Usar o melhor mês como base. Projeção feita em cima de pico vira decisão de verba errada no mês seguinte.
  • Tratar frete grátis como ação de marketing. É desconto, e entra na linha de custo variável com o valor que você paga.
  • Perseguir ROAS em vez de lucro. Dá para ter o melhor ROAS do ano cortando verba e terminar o mês com menos dinheiro.
  • Esquecer o custo fixo. Sem ele você acha que tem margem de 25% quando tem 19,2%.

Conclusão

ROAS é um indicador de mídia. Faturamento é um indicador de volume. Nenhum dos dois responde à única pergunta que importa em novembro: até onde eu posso ir no preço, no frete e no parcelamento sem entregar a minha margem.

Monte a projeção uma vez, com os seus números, e ela passa a ser a régua de toda decisão de oferta do ano. Se você quer o passo anterior, comece por por que ROAS não é lucro. Se o sintoma já apareceu no caixa, o caminho é vendo muito e lucro pouco. E se quiser fazer essa conta comigo, é o Diagnóstico 360.

Cristiano Creczyenski, CEO da Metris
Sobre o autor

Cristiano Creczyenski

Cristiano Creczyenski é CEO da Metris e ajuda empreendedores a crescerem com Estratégia, Marketing de Performance, CRM e I.A. São mais de 17 anos de experiência em e-commerce e marketing digital. Já atuou com marcas como Lojas Colombo, Fila, Umbro, Melissa, Coza, Continental Ferramentas, Vinhos Collection e Pizzato, entre outras.

Perguntas frequentes

O que mais perguntam sobre isso

Qual a diferença entre faturamento, ROAS e lucro?
Faturamento é quanto entrou em vendas. ROAS é receita dividida pelo investimento em mídia. Lucro é o que sobra depois de todos os custos, variáveis e fixos. Os três podem subir juntos, mas também podem andar em direções opostas: dá para aumentar faturamento e ROAS e reduzir lucro.
O que entra em custo variável no e-commerce?
Tudo que cresce junto com a venda: custo do produto, mídia, frete, embalagem, taxa do meio de pagamento, comissão de marketplace, impostos sobre venda e descontos concedidos. Se o pedido não acontece, o custo não acontece.
O que entra em custo fixo?
O que você paga mesmo vendendo zero: aluguel, salários, plataforma, ferramentas, contabilidade. No exemplo deste artigo são R$ 5.800 por mês. O custo fixo é o que faz o volume importar — ele se dilui conforme você vende mais.
O ROAS pode cair e o lucro subir?
Pode, e é comum quando você escala. Se aumentar a verba faz o ROAS cair de 10 para 8,5 mas o volume dobra, o lucro absoluto pode crescer — porque o custo fixo se dilui e o volume melhora sua negociação de frete, embalagem e taxa de pagamento. O que você leva para casa é o lucro, não o ROAS.
Essa projeção substitui um DRE?
Não. É uma projeção gerencial para decidir mídia e oferta, não uma demonstração contábil. Ela não trata de depreciação, empréstimos, investimentos ou regime de competência. Para fechamento fiscal e societário, quem faz é a sua contabilidade.
Diagnóstico 360

Você sabe quanto sobra de verdade na sua loja?

Em uma hora de diagnóstico gratuito eu monto a projeção da sua operação com os seus números — mídia, produto, frete, taxas, impostos e custo fixo — e a gente vê onde a margem está indo.