Passei o Fórum E-commerce Brasil ouvindo palco, conversando em stand e trocando ideia com lojista e fornecedor. Em vez de sair listando tudo que foi dito, separei o que de fato muda a sua operação, e li cada tendência com olho de consultoria: não "o que é novo", mas "o que fazer com isso na sua loja". Se você não foi, este é o resumo que eu queria ter recebido.
A verdade que ninguém coloca no palco: o mercado ainda está perdido com IA
Começo pela parte que mais importa e que quase ninguém fala em cima do palco. Não existe, hoje, uma solução de IA amplamente adotada multiplicando negócio de e-commerce. Todo mundo está experimentando. Muita consultoria e agência está montando pequenos laboratórios internos para desenvolver as próprias ferramentas, principalmente para análises mais profundas como SEO.
Isso não é motivo para desânimo, é o contrário. Quando a ferramenta ainda não virou commodity, a vantagem vai para quem tem método, não para quem tem a assinatura da ferramenta da moda. IA sem estratégia é o mesmo que tráfego sem estratégia: acelera o erro.
Google: os 4S e os agentes que vão comprar por você
O Google apresentou o conceito dos 4S: search, scrolling, shopping e streaming. A leitura é simples: a jornada de compra não mora mais só na busca, ela se espalha entre buscar, rolar o feed, comprar e assistir vídeo. A sua marca precisa ser reconhecível e consistente nesses quatro contextos.
Mas o que mais me chamou atenção foi o avanço dos agentes de e-commerce: assistentes de IA que vão executar a compra pelo consumidor, muitas vezes sem ele nunca abrir o seu site. Já há um protocolo sendo desenhado para padronizar dados de produto e pagamento, com expectativa de adoção nos próximos um a dois anos.
O que isso exige de você, na prática, e já: um feed de produtos completo no Merchant Center, com foto, vídeo, disponibilidade, preço e prazo de entrega corretos. Na era dos agentes, quem tem feed pobre simplesmente não aparece na compra. Não é tarefa de TI para depois, é decisão de operação para agora.
É o tipo de trabalho invisível que um olhar de consultoria pega antes de virar problema: não adianta escalar mídia se o seu produto está mal descrito na base que vai alimentar a próxima geração de compra.
Meta: a aposta nos criadores e o embate IA contra humano
A Meta está reforçando o ecossistema de criadores, inclusive com um marketplace para encontrar e contratar criador por hashtag e menção. E aqui aparece uma tensão que vale para a sua estratégia de conteúdo: enquanto a plataforma empurra IA para gerar anúncio, o público continua respondendo melhor a conteúdo humano quando o assunto é retenção e confiança.
A conclusão que eu tiro é equilibrada: use IA para escalar produção e teste, mas não terceirize para a máquina a parte que constrói vínculo. Conteúdo que retém ainda tem cara, voz e ponto de vista.
WhatsApp: o canal "grátis" tem prazo de validade
Outra sinalização importante: o WhatsApp deve se profissionalizar, com identificação por @ e cobrança por mensagens comerciais, algo apontado para 2027 e 2028. Se a sua operação depende do WhatsApp gratuito como canal central de atendimento e recompra, isso é um aviso para começar a repensar o modelo antes de a conta chegar.
Não é para abandonar o canal, é para não construir a casa inteira em terreno alugado. Base própria, como e-mail e a sua lista, volta a ser o ativo mais seguro, tema que eu detalho em e-mail e WhatsApp para e-commerce.
IA no atendimento: eficiência sim, substituição não
Nos bastidores e nas conversas, o consenso sobre IA em CRM e atendimento foi maduro: ela aumenta eficiência e padroniza o básico, mas não substitui gente em caso complexo. E tem um detalhe que muda o resultado.
Ouvi o caso de uma rede de franquias que treinou a IA de atendimento usando a colaboradora mais experiente como referência, para padronizar o atendimento entre as lojas. Depois de um período de treinamento, as vendas melhoraram. A lição não é "IA vende", é "IA treinada com quem sabe, e supervisionada, vende". Experiência humana virou o insumo que faz a IA funcionar, não o que ela descarta.
Varejo: provador virtual e busca com IA chegando na loja
No varejo, a tendência clara é de provador virtual e montagem de looks em foto, com grandes redes já testando, e de busca com IA dentro do site. É o tipo de recurso que vai deixar de ser diferencial e virar expectativa. Vale acompanhar, mas com os pés no chão: implementar antes de a sua conversão básica estar resolvida é otimizar o telhado com a fundação torta.
O fio que amarra tudo: ferramenta não é estratégia
Se eu tivesse que resumir o Fórum inteiro em uma frase, seria essa. Teve palestra mostrando que só dar a ferramenta de IA para o time não garante que ela seja usada, precisa de método e cultura. Isso vale para dentro da agência e vale para dentro da sua loja.
Eu vivo isso na operação da Metris: a IA encurtou muito o trabalho tradicional de consultoria, de meses para dias, na parte de organizar diagnóstico, plano e responsáveis. Mas o que decide o resultado não é a velocidade da ferramenta, é o diagnóstico certo por trás dela. A IA acelera a execução; a estratégia continua sendo humana.
E é por isso que o meu recado de consultoria, saindo do Fórum, é o mesmo de sempre, só que mais urgente: arrume a base antes de correr atrás do brilho. Feed de produto completo, atendimento com método, base própria protegida, conversão resolvida. Quem fizer o feijão com arroz bem feito vai estar pronto quando os agentes de compra, o provador virtual e o resto virarem padrão. Quem correr atrás só da novidade vai gastar em cima de uma operação que não sustenta.
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No Diagnóstico 360, uma hora gratuita comigo, a gente olha a sua loja e define o que arrumar primeiro para você chegar pronto nas próximas mudanças do mercado, sem gastar no que ainda não é a sua prioridade.
Fazer meu diagnóstico gratuito →O que eu levaria do Fórum para a sua operação esta semana
Complete o seu feed no Merchant Center. Foto, vídeo, disponibilidade, preço e prazo. É a preparação mais barata para a era dos agentes de compra e ninguém está fazendo.
Não construa o atendimento inteiro no WhatsApp grátis. Comece a fortalecer a base própria antes da mudança de modelo chegar.
Use IA com método, não como milagre. Treine com quem sabe, supervisione, e mantenha o humano onde ele constrói vínculo e resolve o complexo.