O custo de escolher o mentor errado não é o valor do contrato. É o trimestre que você passa executando a prioridade errada, com a convicção de quem está sendo orientado. Por isso a escolha merece critério, e não simpatia. Os sete critérios abaixo são objetivos, dá para verificar cada um antes de assinar, e a maioria aparece em uma única conversa bem conduzida.
Resumo executivo (TL;DR)
O critério que mais separa bons de ruins é simples: a pessoa opera hoje ou apenas ensina? Quem está dentro de operação real traz a restrição junto com a recomendação. Quem só ensina entrega a resposta ideal, que costuma não caber no seu contexto.
1. Ele opera hoje, ou só ensinou a operar
Quem convive com operação real sabe que a plataforma trava, que o estoque atrasa, que o time tem duas pessoas e não seis, que a mudança de algoritmo chegou na semana da campanha. Essa convivência muda a qualidade da recomendação: ela vem com a restrição embutida.
A forma de verificar é direta. Pergunte o que ele viu acontecer nos últimos noventa dias em operações que acompanha. Se a resposta é genérica ou tem mais de dois anos de idade, você está falando com alguém que ensina o que já fez, não com alguém que faz.
2. Já resolveu o problema no seu porte
Os gargalos mudam com o tamanho da loja muito mais do que com o segmento. O que trava uma loja de R$100 mil por mês (margem, ticket, dependência de um canal) é diferente do que trava uma de R$2 milhões (estrutura de time, previsibilidade, canibalização entre canais). Um mentor excelente para um porte pode ser inadequado para outro.
Pergunte pelo porte típico de quem ele acompanha, e não pelo nome das marcas. Logo grande no portfólio não significa que o trabalho foi no problema que você tem.
3. Fala de margem, não só de ROAS
Esse critério filtra rápido. Pergunte qual é a primeira coisa que ele olha ao entrar em uma loja nova. Se a resposta começa pela conta de anúncio, o que você tem na frente é um gestor de tráfego, o que é uma função legítima e diferente da que você está contratando. Se começa por margem, mix e ticket, ele está olhando o negócio.
O motivo de isso importar tanto está em por que ROAS não é lucro: dá para subir ROAS e afundar o resultado, e quem só otimiza o painel de mídia não enxerga isso acontecendo.
4. Diz com clareza para quem não serve
Quem atende todo mundo não é especialista em ninguém. Um mentor com critério consegue dizer, sem rodeio, em quais situações ele não é a melhor escolha, e para onde a pessoa deveria ir nesses casos.
Se em uma hora de conversa não apareceu nenhuma desqualificação, nenhum depende e nenhum contraponto ao que você contou, você não recebeu diagnóstico. Recebeu apresentação comercial.
Use um diagnóstico como teste
Em uma hora de diagnóstico gratuito com o Cristiano, você aplica esses critérios na prática e sai com a leitura do seu gargalo principal, tendo contratado alguma coisa ou não.
Fazer meu diagnóstico gratuito →5. Tem formato e frequência definidos
Acompanhamento sem cadência vira conversa quando dá. Antes de fechar, você precisa saber quantos encontros, com que frequência, quanto tempo cada um, o que acontece entre eles e por quantos meses o ciclo dura. Oferta que não responde isso está vendendo acesso, não método.
6. Deixa registro do que foi decidido
Se cada encontro termina sem um documento com prioridade, responsável e prazo, a mentoria depende da sua memória e da boa vontade do time. Registro escrito é o que transforma a conversa em execução, e é também o que permite avaliar, três meses depois, o que foi feito e o que ficou parado.
7. Deixa claro onde está o conflito de interesse
Muitos mentores têm agência, ferramenta ou curso. Isso não é problema em si. Vira problema quando a recomendação leva sempre ao mesmo destino, e quando esse vínculo não é declarado.
Eu tenho uma agência, a Metris, e digo isso na primeira conversa. O que muda é que a recomendação precisa sobreviver à pergunta: se eu não vendesse nada disso, eu recomendaria o mesmo? Se a resposta for não, a recomendação está contaminada. Sobre a diferença entre os formatos, vale ler mentoria e agência juntas.
As perguntas para fazer na primeira conversa
Leve estas cinco. Elas cobrem os sete critérios sem parecer interrogatório.
- Qual é a primeira coisa que você olha quando entra em uma loja nova?
- Qual o porte típico das operações que você acompanha hoje?
- Em que situação você diria que não sou o cliente certo para você?
- Como é a cadência e o que fica registrado depois de cada encontro?
- Você tem agência, curso ou ferramenta próprios? Em que momento isso entra na conversa?
Três sinais de alerta
- Promessa de número sem conhecer a sua operação. Quem garante resultado antes de ver margem e canal está vendendo expectativa.
- Urgência artificial. Vaga que fecha hoje, preço que sobe amanhã. Escassez real de agenda existe, mas ela não precisa de cronômetro.
- Prova social sem contexto. Print de faturamento sem dizer o ponto de partida, o período e o investimento em mídia não prova nada.
Conclusão
Escolher um mentor de e-commerce é menos sobre reputação e mais sobre aderência: alguém que opera hoje, que já resolveu o seu problema no seu porte, que raciocina por margem, que sabe dizer não, que tem cadência e registro, e que declara o próprio interesse. Uma conversa bem feita revela os sete critérios. Se você ainda está decidindo se o formato certo é mentoria, veja se mentoria vale a pena no seu caso e a diferença entre mentoria, consultoria e assessoria. Para conhecer o formato que eu conduzo e o critério de entrada, veja a página da mentoria individual.